25 Apr João Francisco

“Conheci o Cândido na sua modesta oficina em fins de 2015. Recordo-me porque levei-lhe uma guitarra para reparar e ele convidou-me a testar uma Weissenborn feita por ele. O som lembrou-me a excelência de um piano de cauda: a notas soavam e sustinham-se de uma forma natural e musical. A afinação era matemática. Uma semana depois estava a reservar a primeira que ele acabasse. 
A OM 15.00 é uma guitarra de cordas de aço. De braço confortável, tocamos nela e ouvimos um disco em alta fidelidade. Tem graves bem recortados e um simples Mi maior consegue proporcionar uma agradável experiência na exploração sonora dela. Ela reage à tensão colocada na mão ou palheta produzindo um volume notável, a par com um sustain especial. 
Anos mais tarde, em 2019, surge a ideia de poder ter as mesmas qualidades numa guitarra clássica. Neste instrumento, pude escolher madeiras, dar indicações no que toca a aparência e solicitar algumas inovações de acordo com o uso idealizado para ela. Quando a fui buscar, o som estava “verde”, mas muito musical. Apenas três meses depois, com a técnica certa, os harmónicos dela soavam como uma catedral. Quase dá pena juntar o som dela a outros instrumentos. Dá prazer ouvir cada nota a soar. Desde dia o dia em que a levei para casa, a ARAUZ vai comigo para todo o lado. Uso-a em tudo o que é música, levando-me a repensar e fazer novos arranjos. É um instrumento que me desafia a dar-lhe tempo, obrigando-me a melhorar no sentido de tirar o rendimento digno de um instrumento desta estirpe.  Finalmente, admito que por mais vintage ou handmade que fosse o pedal ou amplificador que fui comprando ao longo de anos, nunca me senti tão realizado em termos de timbre. “